
Dizem que opinião e pescoço, cada um tem o seu. Pois é, para evitar confusão, tento lembrar disso mas às vezes é tão difícil... Sei que é mais prudente calar a dizer o que penso sinceramente. Já escrever... Aqui, nesse espacinho, não consigo abandonar a franqueza e a transparência; sou como sou e o resto; bem, o resto a gente resolve depois...Ou dane-se, o resto.
O caso é que escuto coisas e fico naquela “cuíra” para devolver a bola exatamente como recebi: fervendo. E nem sempre posso, não é?
No dia a dia, quando é para apontar erros alheios, usamos vários pesos e muitas medida; é mais quem se habilita a uma crítica... Já para olhar o próprio rabo... Somos humanos, mas quando a parcialidade vira vício, custo a lembrar disso.
Reclamamos que “o povo” não tem educação, “o povo” atende mal, “o povo” não sabe escrever, isso e aquilo. Nós, afinal de contas, não somos o tal do povo, que emporcalha a cidade com lixo, que atira coisas pela janela, escreve porcalhão com “x” e blá, blá, blá... Eles, os que são “povo” (pobres e sem educação) são a desgraça e nós...A elite, não é? Somos os elegantes e bem educados. Então tá.
Enquanto isso, na Batcaverna... Mulheres chiquérrimas, equilibradas em Louboutins de reluzentes solas vermelhas, passam a mão no sousplat e amontoam trufas e docinhos sem nenhum constrangimento, enquanto os filhos correm pelo salão, pisoteando o chocolate. Na mesa ao lado, o rotundo senhor reclama da idade do scoth e quer que baixem o volume da música enquanto os rapazes da banda e-xi-gem (assim mesmo) uma mesa especialmente reservada para suas...Namoradas. (Meigo,isso!) Todas em mini vestidos que mais parecem blusinhas brilhantes e chicletes misturados ao gloss. Purpurinado, claro... No banheiro, uma jovem senhora limpa o batom nas toalhas monografadas da cesta de conveniências, a fim de retocar a maquiagem.Os lencinhos de papel estão ao lado... Na entrada, alguém atrasado “exige” sentar com os amigos e arremata: “Sabe quem sou eu?”.
É o inferno? Não, querida, bodas de pessoas como eu ou você; um casal bem relacionado comemorando vinte anos de casamento. O inferno, já se disse, são os outros.
Francamente? Nenhum anfitrião merece! Aliás, ninguém merece falta de modos! Arre, onde anda meu Calman?
Fico imaginando o que mais pode acontecer na balada de Belém, quando alguém me conta que durante sua festa, “sumiram” oitenta e poucos guardanapos. Como, “sumiram”, cara pálida? Simples: viraram marmitas para alguns docinhos ou foram dobrados sem cerimônia e colocados nos bolsos e nas bolsas... E não era o povo, os pobres e sem educação. Eram os nossos colegas de mesa! Como alguém tem co-ra-gem de juntar docinhos em guardanapos (do bufê!) e sair assim, com essa cara lavada, (aliás, bem maquiada) achando normal? O que essas pessoas andam cheirando além do insuportável Poison? (Será que eu é que ando chata demais?). Como alguém “passa a mão”em 12 cartelas de Engov da cesta do banheiro e leva feito suvenir, na cara dura?
E minha amiga festeira arremata: Ah, faz parte...
Pra mim, nada disso faz parte, mas...
Ah, o que somos capazes de fazer por um docinho! Por isso, uma colega resolveu inovar e oferecer mimosas caixinhas para quem quisesse levar um, digamos, lanchinho. Ela ainda me conta que na festa dos quinze anos da filha, rapazes furaram as toalhas com cigarro... Dezenas de furinhos fazendo ondas... Quem são essas criaturas? De qual invasão saíram? Não, querida, são nossos filhos, me adverte a outra... Nossos não, cara pálida sem noção! Dos outros, que fique bem claro, por que se fossem meus...
Lixo? Quase a mesma coisa. A madame reclama do “povo” mas joga a embalagem do lanche pela janela do carrão: É bio-degradável, se desculpa. Vai “desmanchar” na primeira chuva...E daí, minha senhora? Cocô também desmancha na água, vai jogar na calçada?
Fico matutando sobre a preocupação geral com o planeta que vamos deixar para o nossos filhos... Não deveríamos inverter a questão? Afinal, quem estamos educando para herdar o planeta? Uns idiotas que sabem tudo de tecnologia mas não sabem dar bom dia ou levantar para um idoso? Uns Tiriricas que não sabem escrever direito e tudo é “naum, miguxa, kara, tah ligado, phoda...”
Dizem que palavras voam, exemplos arrastam. .. Será que isso aqui ainda tem jeito? Se depender da gente, a vaca já está no brejo. Sem calcinhas.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
Chegaaaaaaaaa!
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Vera Cascaes
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Marcadores: falta de educação, lixo, maus modos, povo
segunda-feira, 27 de dezembro de 2010
Também recebi uma medalha

Venho recebendo envelopes metálicos com medalhas, calendários e livros, tudo muito organizado e com boleto bancário.
Sou católica e adoraria contribuir para a divulgação da minha religião, pois faz tempo que não ouço falar na inauguração de uma igreja, por exemplo.
O catolicismo parece estar fadado a desaparecer, como certos cultos da idade média; é uma pena.
Os padres seguem a orientação de Roma e não realizam casamentos "fora da igreja". Quer dizer, isso se você não for filha de algum político ou de gente
com certo poder - quando é assim, até João Paulo Segundo - meu Papa Pop e eterno - duvidaria do que uma boa relação é capaz.
Mas para o fiel comum, aquele que dobra os joelhos todo domingo e pede a Nossa Senhora de Nazaré um ano tantinho melhor, aí a coisa muda.
Só na Igreja. Outros cobram , e bem. Os pastores, em geral, vão de graça e de muito boa vontade. Isso é conhecimento de técnicas de venda e RP.
Mas voltando a tal medalha.
Pois é.
Fico aqui imaginando quantos, como eu, não querem desafiar a ira dos céus e acabam contribuindo?
Eu pago bem menos do que sugerido, nunca passei de R$ 5,00 por boleto...Mas fazendo as contas...
Uau! Isso dá uma boa grana, capaz de manter um hospital, por exemplo. O que se faz com essa verba?
Quem controla? Quem recebe?
Ninguém me diz quem são essas pessoas.
Quem é o articulado Padre Lourenço Ferronatto que me escreve cartinhas que parecem saídas da propaganda cansativa da Seleções.
Como existem duas ou mais associações de santos diversos convivendo sob o mesmo manto de propaganda e venda?
Como é isso?
Quem pode me dizer o que é todo esse marketing?
Claro que quero ver minha religião solidificar-se pelo mundo, mas que isso tá estranho, ah, tá!
Quem se habilita?
Vejam que a dúvida não é so minha...
Visitem:
http://polemikos.com/?p=281
Foto de www.fashiondrikagaby.blogspot.com , que aliás, comprou de bom coração!
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Vera Cascaes
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Marcadores: medalha milagrosa
domingo, 5 de dezembro de 2010
Saudade de mim

Ando com uma saudade danada de mim. É aquela dor, aquele arrastar de correntes de quando a gente sabe que nada vai trazer o entre querido de volta, a morte é irreparável; o tempo perdido também.
É uma pena que a gente não tenha essa sabedoria aos dez, aos quinze anos, quando não conseguíamos prestar atenção em nada além do próprio umbigo e do menino que não retribuía um sorriso cheio de promessas.
Morro de saudade de um tempo que se foi pra não voltar; e se eu soubesse disso, teria tentado fazer as coisas mais bem feitas, ou pelo menos, teria tentado tornar minhas memórias menos dolorosas.
Sinto falta dos almoços no apartamento dos meus avôs, cuja sala de costura aos domingos acomodava uma enorme mesa, cheia de gente falante e feliz. Depois de um almoço farto, a gente saboreava o bolo da Linete; com o café viriam os biscoitos da minha avó, cuja receita trazia medidas em pires, que coisa. E era tão bom... Dia de tomar Coca-cola e ver os primos, nossos vizinhos inseparáveis.
Sinto falta daquela sensação de que família não se perde, nem que você faça todas as merdas do mundo. Que as brigas entre irmãos acabarão junto com a acne e o medo da mulher do táxi.
Sinto falta da casa da outra avó, a velhota mais incrível que já conheci. Baixinha, linda feito a Greta Garbo, com cabelos azuis como caneta Bic. Ela me albergava durante longas temporadas e me deixava ler fotonovelas, livrinhos da Brigitte Montfort, a filha de Giselle, a espiã nua que abalou Paris. O Cruzeiro, Querida, X9, Seleções e Coquetel de Palavras Cruzadas também faziam parte da minha diversão, meio incomum para minha idade, é verdade. Sinto falta do leite “embolotado” e do pão das quatro da tarde, da Camões.
Fico lembrando das visitas que fazíamos à família do Dr. Fayal, uma casa enorme na Pedreira onde havia uma máquina de bater açaí. Sinto até o aroma!
O círio, na janela do Dr. Morrisson. Da casa do Luciano e da Ivani, um passeio e tanto até Miramar, onde moramos por uma temporada, que bárbaro. Eu subia nas árvores, cochilava no mirante vendo os barquinhos com os remadores que passavam pertinho, andava com os cães da vizinhança, fingindo que eram meus e que um lote era uma fazenda inteira.
As festas eram ótimas e menores. E muito, muito melhores. A animação vinha do coração, sem nenhuma pirotecnia. Havia a Barraca da Santa, a Feira da Providência, o jantar de São Judas Tadeu. Era uma época em que a gente comia de tudo e ninguém tinha essa neura de dieta. Aliás, as mulheres que faziam sucesso eram bem fornidas de carnes e saúde - e a gente ia aos velórios de mortes “morridas” pela idade, já bem entradas nos anos. Parece que quase ninguém morria de bala, de batida de carro, de assalto então, nem pensar. Câncer era uma coisa que não se falava, mas ainda acho que adoecíamos menos, enfim.
A gente visitava os amigos e era uma festa, café, bolo, biscoitos e Guarassuco; tinha a hora de ver fotos de parentes ausentes, de festas familiares. Era hábito “mostrar a casa” aos que ainda não a conheciam. E isso era um gesto de carinho, jamais de exibição – ou cafonice.
Na minha rua, a gente esperava o convite para as festas da família Guapindaia. Havia sempre banho de piscina e arroz de galinha, que maravilha. No finzinho do quarteirão, a casa da Beth e do Hugo, onde escalava uma goiabeira que era fácil de subir mas péssima de descer – e eu sempre descia de uma vez só, com aquelas cascas cravadas nas pernas.
Nessa época então, sinto falta do Mosqueiro, onde a gente conhecia quase todo mundo e as férias eram deliciosas. O jogo corria animado na casa do Curt e com sorte, dava para assistir ao espetáculo que a Maizé, Edna, Acatauassu e o Paes Barreto davam nos esquis. As pessoas modernas naquela época eram muito mais chiques e menos pretensiosas. Isso era ter estilo, meu bem!
Eu era só uma moleca tagarela, que sempre gostou de estar entre adultos, mas... Ai, que saudade de mim!
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Vera Cascaes
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sábado, 20 de novembro de 2010
Gatosas

O assunto da hora: Mulheres maduras de hoje... Às vésperas de encerrar temporada das Gatosas, não existe nada mais oportuno; colocamos a “boca no trombone” e muitas vieram contar sobre a própria vivência. Cheguei à conclusão que poucos conhecem -ou entendem- a primeira geração feminina que adolesceu sob o advento do anticoncepcional, fato que viria a mudar a história do mundo, em especial das mulheres.
Para sua informação, a maioria acha que jovens, incluindo filhos que elas mesmas educaram, não as “enxergam” como “mulheres de fato”, principalmente quando se trata da sexualidade. “Filhos acham que pais maduros não transam, não precisam de privacidade e teriam um ‘troço’ se soubessem que frequentamos motéis!”, confidencia uma delas. Dá o que pensar, afinal, parece que os jovens é que pararam no tempo – e não nós, os maduros.
Muitas me pareceram aliviadas por fazermos piadas com aqueles assuntos que não se falava “em família”. Não podíamos falar menstruação, menopausa ou orgasmo – verdadeiros palavrões, coisa de gente sem a menor educação. Peitos sempre foram “seios” e sexo, bem, quando se falava nisso, o termo era quase burocrático: relações sexuais. Se pronunciar era chato...Imagine viver num casamento tendo "relações sexuais" em vez de trepar, mesmo!
Mãe não tem fantasia e pai macho pega a mulherada; então tá, bebê.
Falando nisso, a maioria -casadas ou não- gostaria de “namorar” mais, se é que me entende. E namorar significa menu completo, meu caro, com ênfase nos aperitivos – se é que me entende, de novo.
Não? Prelimirares, querido! Mulheres gostam de beijo na boca, de língua , ainda se lembra como é? E sacanagem é coisa que sua esposinha também gosta e só não fala porque você a prefere calada.
As mulheres dizem que homens interessados nas cinquentinhas são raros; a solidão é um fantasma que ronda quem não está “avec”.
Se você acha que doença é assunto das mulheres no climatério, está enganado (Na verdade, nem as da tal terceira idade estão se ocupando com isso; mas essa é outra peça, “ops’’ , outra crônica!)
Ainda que os fogachos sejam uma tortura, elas chegam aos cinquenta com um novo propósito, que vai muito além da academia ou da terapia hormonal. Aceitar-se e viver a vida, essa é a força que as move.
Ainda que emagrecer ou encontrar um parceiro sejam sonhos acalentados pela maioria, ser feliz é prioridade, tenham o peso que tiverem, estejam sós ou nem tanto. As cinquentinhas querem estar de bem com a vida, do jeito que der.
Rir dos próprios achaques e problemas é uma boa saída, afinal, independente de sexo, aos cinquenta quase todo mundo ronca, come linhaça, briga com os próprios cabelos (ou com a falta deles) e descobre que suportaria algumas semanas sem “aquilo”, mas não passaria três dias sem seus óculos. Cuidar-se é fundamental, mas fingir-se jovem é um mico; aliás, um king Kong.
Aos cinquenta, desistimos de discutir relações que não vão mudar e passamos a falar de nós – ou das outras!- poucas falam do que sentem e como “se sentem”... Os tabus, sempre eles!
Um amigo perguntou-me sobre menopausa, só sabia que a esposa mudava de humores, chorava por qualquer coisa, e passava noites “ajustando” o ar condicionado... Meu caro, o termostato defeituoso é o nosso, mesmo; em segundos vamos do frio ao calor infernal. Só para você entender: posso estar numa boa, e, de repente, basta pensar (isso mesmo, basta pensar!) em algo que não domino, que as orelhas esquentam e, imediatamente, passo a suar... O que fazer? Incentive-a a visitar o médico e tente entender o que fazem os hormônios; lembre que ela precisa de ar-condicionado, leques e da mesa mais ventilada e, pelo amor de Deus, evite assuntos capazes de, digamos, “esquentá-la”. No mais, sua mulher está apenas em “adaptação” para uma fase que tem tudo para ser das melhores: filhos crescidos (e sem nenhuma possibilidade de aparecer uma “raspa de tacho!”, credo!), profissão estável e um maridão atencioso. Isso não é o máximo?
Quanto às Gatosas, bem, nesse final de semana nos despediremos. Futuro? Arf, fala sério, liga aí o ar. No máximo!
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Será que é só comigo?

Ando de saco cheio com gente sem educação!
Será que só eu dou bom dia no elevador e tem quem finja estar olhando o teto?
Parece que o bicho pode fazer outro trajeto, pois é mais quem toma conta...
Por essa e por outras , adoro viver numa casa. Arre!
Gente de flatula - em português claro - que "peida" sem nenhuma cerimônia. Fala sério, outro dia eu estava na Renner e uma senhora ao lado, quando , sem mais nem menos, aquela bomba de gás intoxicante...E ela lá, com a maior cara de pau, olhando roupinhas de bebê. Juro que não aguentei e disse, assim, para as paredes: Gente porca, mal educada! Vá peidar na casa da mãe, criatura fedorenta! E saí.
Depois fiquei rindo do meu piti.
Odeio quando estou na fila do elevador do shopping e, na hora que ele chega, os sem noção passam na frente e se amontoam, atropelam você... Eu estava no Pátio Belém, atrás de mim, uma jovem mãe e seu bebê no carrinho. Uma fila danada, eu segurando, quando a porta abriu, um grupo daqueles meninos de cabelo lambido e cara de mangá passou atropelando todo mundo...Como tinha gente no elevador, eu e a senhora iríamos ficar de fora. Fiquei puta da vida! Coloquei a mão na porta e disse: Ätenção gente, respeito é bom e até o Hary Potter gosta. Quem estava atrás na fila sai e deixa quem estava na frente entrar...ou essa merda vai ficar parada aqui!
Pior, tinha homem dentro e ninguém falou nada. Esperei uns segundos e disse: Vocês, estavam atrás, por favor? E o garoto disse: Vamos sair que ela vai encrencar...e ficaram me xingando. Cheguei em casa me sentido menos otária, amém.
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Vera Cascaes
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segunda-feira, 15 de novembro de 2010
Dudu não passa aqui - (em Belém)


Nas fotos: Esquinas da Alcindo Cacela com Mundurucus, e da Quatorze de Março com Pariquis. Na outra, a imunda feira do Jurunas. O Duciomar não passa por lá!
Dudu não passa aqui! (Vera Cascaes)
A se considerar votos, Duciomar Costa teve carreira invejável nos pleitos que venceu com a maioria, depois de chegar à Câmara dos Vereadores com modestos 1.384 eleitores. Até quando ficou em segundo, fez “bonito”, foram 1.021.516 para o Senado no calcanhar de Ana Júlia. Em 2000 tirou a forra e venceu-a, apesar da mal explicada participação em consultas oftalmológicas. Belém tinha, então, 894.204 eleitores e 420.280 (58,28%) resolveram que isso não tinha nenhuma importância e elegeram-no Prefeito. Em clima de alegria; cantarolavam a musiquinha grudenta (Dudu, Dudu, Dudu... Duciomar!), imaginando bons tempos após a administração modesta de Edmilson Rodrigues – então no PT- e que ficou conhecida como “1,99” (Diziam que os projetos eram de peculiar mau gosto e careciam de qualidade na execução. E tome praça!). O povo votou - eu votei!- em “Dudu” com confiança; o novo prefeito tinha a opinião pública a seu favor, bastava gostar do trabalho e se interessar pela cidade - e pelos munícipes. Quem diria! Hoje muitos têm saudades da “época do Edmilson”, quando a coleta de lixo era exemplar e a prefeitura não enfrentava tantos escândalos. Aliás, Edmilson (Psol) hoje, pode até agradecer parte dos 85.412 votos a Duciomar, um recado que “éramos felizes e não sabíamos”, arre. Nem a ex- esposa do prefeito conseguiu se eleger; mais que recado, um tapa.
Francamente, não entendo como um político pode jogar na lama (mesmo), um currículo com tantos votos apesar do resto? Como pôde deixar Belém virar essa coisa mal cheirosa e suja, onde quase nada se salva? E finalmente, como a gente permite que isso aconteça assim, sem propor cassação, sem panelaço, sem espernear? Somos coniventes e já se disse que pior que os maus, são os bons que nada fazem a respeito. Omissão também é crime!
Não há muito a comemorar nessa administração, mas a lamentar... Um negócio mal feito nos deixou sem um bem localizado hospital. O prédio está caindo aos pedaços como a saúde do povo – eleitores! – que não tem a quem pedir socorro. Mas Duciomar... Não precisa passar lá.
Duciomar virou mau exemplo de administração, sinônimo de obras mal planejadas e abandonadas. A hoje famigerada Vinte e Cinco de Setembro é um acinte, com retornos bloqueados, sem respeito ao traçado, com curvas impossíveis para qualquer direção. Apesar de estar “largada”, vão abrir novo e perigoso cruzamento. Duciomar? Não passa por lá.
Pariquis, o melhor acesso até Batista Campos, virou um pesadelo de alagados, com fossas abertas, despejando fezes na lama. O fedor é insuportável, o comércio pena sem fregueses e o povo – eleitores, Duciomar, eleitores! - mete o pé na... Merda, mesmo. Mas Duciomar não passa por lá.
O trânsito é um caos, os guardas só aparecem para multar, e daí? O Dudu não passa por lá ou outro lugar qualquer.
A feira que fica no Complexo (?) do Jurunas é absurdamente no-jen-ta. Urubus e ratos nas montanhas – enormes – de restos pútridos de caranguejo, peixe, frango e tudo o mais, que fede muito. Quando chove, a coisa piora, mas Dudu também não passa por lá.
E a as chuvas ainda nem começaram!
Poderia descrever dezenas daquilo que a prefeitura classifica como “pontos críticos” e diz que vai tomar providências, “pois o povo é que é sujo”. Mas Dudu não passa por Belém, só nas raras inaugurações (meia dúzia de aparelhos toscos para ginástica) ou em alguma homenagem montada para um filminho de propaganda. Onde anda Duciomar? Não sei e já não quero saber; a resposta “chapa branca” não me interessa, bem como o que acha quem tem rabo (ou contracheque) preso; opinião e pescoço, cada um com o seu... O que sei é que o futuro é na outra esquina e por Deus, torço para que nela Dudu não passe nem perto! Se estiver, cravo noutra opção!
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Vera Cascaes
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Com farinha e açucar
Com açúcar: o meu crime perfeito
Por algumas horas, a casa é quase só minha. A família está longe e apenas as duas gatas silenciosas me escoltam no corredor vazio. No quintal, a Babi dormita sob o sol escaldante, vá entender os gostos da lustrosa “vira-latas” que aqui é princesa? Que reine, então... Sei que vão me achar uma desnaturada, comemorando a solidão como quem arquiteta um plano mirabolante e disfarça, para não chamar atenção...Mulheres entenderão, de tempos em tempos, estar só é uma dádiva, praticamente um banquete a ser apreciado aos poucos, fazendo com que cada segundo dure uma pequena eternidade; a véspera de uma grande festa, melhor que a própria.
Ligo o ar-condicionado e em meia hora é quase inverno, o piso frio e a pele fresca tornam tudo melhor ainda. Tento esquecer a bagunça e focar no mais importante: a minha grande travessura. Arrumo a mesa acolhedora, toalha antiga de xadrez macio, dessas que carregam anos de histórias familiares em nódoas quase imperceptíveis. Quase.
Uma cumbuca branca, colher de tamanho médio e ponta arredondada, quase sob medida para a boca que prepara o crime. Açúcar alvo e solto, pedras de gelo, fritura salgada e torradinha para tirar o gosto e, na jarra, ele, o meu açaí favorito, geladíssimo. Nem papa que me empapa, nem ralo que encharca as farinhas. Açaí do médio, honesto e saboroso. No ponto exato de sair da jarra, ágil e brilhante, deixando o aroma tomar conta de mim e dos meus instintos. Outras cumbucas guardam as duas farinhas, d’água de Bragança e tapioca miúda; açaí exige detalhes, quase pompas. Nesse momento, viro a cabocla lerda e de poucas palavras lá das bandas do Marajó. Uma quase matuta, descalça, saia recolhida no regaço... Agora não quero papo, telefone não foi feito para se atender a toda hora; que toque, estou tomando meu açaí. A TV, quase sem som, é apenas berço para deitar o olhar e mais nada. O mundo parou, a vida é só aqui.
Num ritual, coloco o açúcar no fundo e deito-o, preguiçoso, para então misturar até que assuma um tom mais fechado, a cor de açaí adoçado. Acrescendo as pedras de gelo, mais para derreterem fazendo contraste de texturas, do que para gelar, de fato. Espalho um punhado da farinha baguda e crocante, que cai como nas cenas da Nigella numa aula de culinária na TV... Sem pressa, vou comendo camadas alternadas das duas farinhas, mal mergulhadas no vinho intenso. De vez em quando, uma pausa para o pirarucu que estala, crocante, e me cobre as papilas com salgado... É-g-u-a da delícia!
Alguém toca a campainha. Não me mexo, se tivesse alguma importância, teriam ligado; para a correspondência, há a caixa; para o resto há o depois; agora, não. Tocam a segunda vez e depois esquecem, não disse que não era importante; alguém talvez quisesse ler um trecho da Bíblia, mas logo agora que estou rezando?
Tomo colheradas lentas e meditabundas, que açaí foi feito para pensar e não falar. Lembro a vida corrida que ficou lá fora e sorrio; o mesmo sorriso de quem acabasse de roubar a Monalisa ou a receita do creme brulèe da Ameliè Pulain. Realmente sou um gênio do mal, capaz de surrupiar as horas e delas fazer uso da maneira mais egoísta do mundo: tomando um solitário e delicioso açaí.
Depois da última colherada, um pouquinho de água gelada; dizem que é para não dar azia; acho que é pura avareza, mas não discuto. No quarto gelado, a rede com cheiro de sol e ares de um não fazer mais nada até Deus sabe quando. Telefones desligados, TV num seriado sobre a história da humanidade; ah, se o homem macaco tivesse tomado açaí, onde estaríamos? E agora, dá licença, por favor, que vou dormir uma sesta. Uma horinha só, no máximo duas, e depois tudo pode voltar a ser como dantes. Por enquanto, não fale, não vou entender nada mesmo e se é por falta de adeus, até logo!
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Vera Cascaes
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