quinta-feira, 7 de maio de 2009

Arre, égua!


Sinceramente, você costuma conferir atentamente o que lhe cobram nas suas contas?
Em especial, naquelas páginas do seu celular e do fixo? Não? Pois deveria.
A correria me faz pagar quase tudo via Internet, vai daí que dia desses ‘descobri’ um ‘pacote’ que me fornecia 30 minutos de ligações longa distância, a um valor fixo de pouco menos de R$32,00 mensais. Êpa, eu nunca pedi isso!
Busquei minhas contas anteriores, ainda bem que sou do tipo que guarda tudo separado por mês, numa pasta bem à mão. Sou obcecada mesmo com essa coisa de classificar, organizar e arquivar papelada e isso tem me auxiliado muito a evitar idas e vindas e muita dor de cabeça. E...bingo!
Estive pagando esse ‘pacote’ (já que nada que preste vem num ‘pacote’?) desde o dia 16 de janeiro.
Não se trata de uma fortuna mas não admito que me levem um centavo sequer que não seja por minha vontade.
Sabe o que é ligar para uma operadora de celular? Pois é, passei mais de vinte minutos ouvindo gravação e topei justamente com a atendente que estava na TPM ou na seca, o fato é que a mulher estava atacadíssima. Depois de me destratar, acabou encerrando a ligação.
Quase tive um piti, ando traumatizada com operadoras de telefonia depois de ficar mais de vinte dias sem meu fixo que foi transferido para o Jurunas e até hoje, neca de ouvir a bendita gravação. (Alguém já ouviu isso, uma única vez? Sei lá, acho que ninguém mostra nada!)
Respirei fundo, mentalizando o Gaiarsa, Santa Sara Kali, e pedi aos céus um pouco mais de paciência antes que tivesse ímpetos de chutar o pau e a barraca.
Na terceira ligação, eis que uma atendente de nome Sônia e voz de aeromoça da Varig-varig-varig me atende, gentilíssima, que coisa. Protocola aqui e ali e eis que estão contestados as três últimas cobranças, pelo menos isso, amém.
Lembro que há alguns anos, achei estranho três valores altos e redondos, em três dias muito próximos, no Toc-toc do clube. Foi só telefonar. Havia uma gangue de garçons ficando com o dinheiro vivo de algumas contas enquanto lançavam o débido em cartões que tinham anotado anteriormente. Recebi tudo de volta e não pensei mais nisso até que, dois anos depois vi que minha fatura de outro cartão estava cheia de valores para uma certa farmácia.
Não deu outra, por quatro meses a empresa me ressarcia valores pois a cara-de-pau da caixa tinha lançada em prestações o que havia roubado da féria em espécie, acredite. No próximo mês haverá uma audiência no fórum e lá vou eu e mais algumas outras pessoas lesadas, pela segunda vez, depor como testemunhas, sem direito a faltar pois seria desobediência civil. A ladra ( é esse pó termo correto, soa mal, mas é.) não apareceu na primeira audiência. Fomos logo informadas que, sendo primária, nunca havia sido ‘fichada’, apesar de ter roubado no emprego anterior.
A orientação por conta das cadeias lotadas é uma pena alternativa e, no final, pouco ou nada acontecerá com ela.
Absolutamente molhada, as gotas de chuva pingando da ponta do nariz, caminhei até o carro que estava estacionada onde foi possível, pensando no que ainda funciona nesse país. E foi aí que lembrei das doações para aquela conta de Santa Catarina que renderam 34 milhões que ninguém explica direito onde foram parar.
E tive uma enorme sensação de cansaço dessa obrigação de prestar atenção na carteira , de não desgrudar os olhos da porta aberta ou de ter que provar pela ‘enésima’ vez que não pedi que meu telefone fosse transferido pra Cudomundópolis.
Estou cansadíssima de ser cidadã. Ninguém aí pode me incluir num esquema, pode me usar para receber dinheiro da Câmara, pode tirar passagem, qualquer coisa.
Pior é que não vai dar certo. Sou tão idiota que vou acabar indo trabalhar e ainda darei recibo. Hare, bôba!

domingo, 12 de abril de 2009

A banheira


Uma das coisas que me divertiram ultimamente, foi o resgate de uma banheira. Calma, eu explico.
Há oito anos vim morar em uma casa que tem não uma, mas duas banheiras; confesso que minha escolha foi em parte causada por esse luxo!Depois de arrumar caixas enormes de ‘traquitanas’, resolvi me preparar para um banho digno de nota. Sais, espuma, roupão, música suave e aquela indefectível toalhinha para colocar sobre os olhos, igualzinho eu via nos filmes. Que mico. O tal do aquecedor -que pra mim não passava de uma carcaça cromada na parede- nem chegou a funcionar. A água, provavelmente por causa dos tubos sem uso durante muito tempo, tinha um cheiro esquisito, uma mistura nauseante de ferrugem e coisa velha.
Cheguei a chamar o técnico e, uma pequena fortuna depois, lá estava a carcaça prontinha pra aquecer meu relaxamento; que banho mesmo, a gente toma é no chuveiro.
Repetida a mis-en-scene, na hora ‘h’ ouvi um estalozinho suspeito e a água voltou a jorrar tímida e fria, muito fria.
Desisti. Passei a achar que era um luxo besta, ninguém aproveita banheira em casa mais que um mês e quando passa a novidade, só serve para juntar poeira e cabelos suicidas.
Bom, o tempo passou e elas permaneciam ali, inúteis, desdenhando minha total falta de competência para usufruir qualquer coisa que fuja da rotina.
Nos meus momentos de ‘mulherzinha’, acreditava que um dia, ‘alguém’ (meu marido, minha filha, o Raj ou o canguru da sorte, sei lá!) me surpreenderia com a tal da droga da banheira funcionando, nem que fosse uma só.
Mas o caso é que o tempo passa e as coisas nem sempre mudam. No meu período ‘borocoxô’, a viagem da Verena para Minas onde apresentaria a monografia, fez-me desconfiar que ficaria mais ‘borocoxô’ ainda. Eu precisava, urgentemente, de um desafio, qualquer coisa que me desse ânimo para ‘saltar fora’.
Chovia muito, e fiquei imaginando o quanto poderia ser complicado colocar o ‘elefante negro’ em atividade. Foi quando ouvi aquele ‘ruidozinho’ de pinga-pinga, bem embaixo do banheiro. Um vazamento! Pronto, essa era a razão que faltava para decretar a minha Faixa de Gaza: vamos meter picareta no banheiro!
Bom, pra encurtar, foram quase trinta dias de desordem. Retirei o box que me fazia suar sob a ducha, o ‘túmulo’ da banheira foi reduzido a cacos e tive que chamar um especialista para, entre outras coisas, fazer dois remendos minúsculos na fibra de vidro. Nesse meio tempo, descobri que o ‘ploc-ploc’ vinha da descarga do banheiro vizinho; ou seja, a razão da guerra não era bem aquela. E daí? A independência do Brasil também não foi bem assim.
O novo aquecedor deve ter sido despachado de “Sun Paulo” num jegue manco, levou doze dias para chegar, mas chegou.
Massa preta pra cá, eletricista pra lá, telhas quebradas, acolá. Ti-ti-ti e arranca rabos entre três ‘especialistas’ todos altamente ‘estrelas’...E eu, dando plantão naquela enorme casa de material de construção, ou você já viu pedreiro ou eletricista entregar a lista inteira do material de uma só vez? No final de uma semana, já era íntima da casa. “E aí, D. Vera, já matou quantos na obra?...“Estou providenciando a missa comunitária, Silva!”.“Ainda falta alguma coisa?”, o ‘Seu’ Zé Maria já sabia que faltava, sim, e que eu viria trocar a metade no dia seguinte.
Bom, a ‘obra’ ficou pronta. Casa vazia, limpei e arrumei o velho banheiro recauchutado como a Dilma Russef, um pouquinho mais bonito por fora e a mesma coisa por dentro, enfim. Abri a torneira, sem muito alarde, não queria pagar mico de novo. Hummm...O tal do visor digital era quase em braile, que droga, tomar banho de óculos. Trinta e três graus.
O motor ronronou e a espuma foi tomando conta da água. E haja espuma. Levei uma montanha perfumada e acomodei-me; de fora parecia bem maior, mas estava ótima. No som, Gilmarley Song com o Kid Abelha, e então dei uma enorme gargalhada. Que bobagem, era só uma banheira velha e emperrada, mas estava me sentindo poderosa.
Consegui!

terça-feira, 17 de março de 2009

Grande brasileiro é você!


Clodovil morreu. Ok. E daí?
Ao ver os comentários no site global G1 sobre a morte ‘desse grande brasileiro’, ‘preocupado com causas sociais’ e outras pérolas do gênero, cheguei à conclusão que esse tipo merece a porcaria que habita o congresso.
Vamos falar sério e parar de tentar entronizar todo cidadão que morre, afinal o mérito da ‘passagem’ não é dele, morrer todo mundo morrerá um dia, preste ou não.
Que Clodovil era inteligente e estilista de bom gosto, concordo. Que tinha um enorme talento para a comunicação é fato. Mas nunca usou talento, inteligência ou cultura a serviço de grandes causas sociais; aliás, era um encrenqueiro contumaz, exercitava a verve com virulência na arte da difamação, nunca teve projeto político e sim um plano de emergência para sair da quase miséria que sua conhecida falta de tato e (por que não?) de bons modos acabou por brindar-lhe nesse fim de vida que se apresentava árido. Clodovil se candidatou para ganhar um bom trocado pois estava falido.
Chegou a tentar uma oportunidade em todas as emissoras e nenhuma lhe abriu as portas. Clodovil não respeitava sequer os companheiros de trabalho; era grosseiro, arrogante e preconceituoso. Certa vez, durante o programa "A Casa é Sua", humilhou Luciana Mello ao vivo, simplesmente porque a cantora, ao gostar da decoração da mesa onde deveria almoçar com o apresentador, levantou o prato ainda vazio, na tentativa de ver que louça era aquela. Não acreditei que alguém pudesse ser tão cruel, mas ele disse à jovem em tom professoral: ‘ Não é sua culpa não ter uma educação mais esmerada’. Depois, perguntou a queima-roupa, que ‘bolinhas’ eram aquelas na testa da moça, que sofria de acne. Malévolo, aconselhou-a a procurar uma dermatologista pois aquilo ‘não ficava bem’.
Na TV Manchete, ao entrevistar Adriane Galisteu, tentou comprometer a masculinidade de Airton sena perguntando sobre o desempenho do já falecido piloto, para arrematar, disse que a família a tratou como ‘uma rameira’, num tom que dava a entender que a loira tinha atividades suspeitas. Foi para o olho da rua, mas não aprendeu e, ao que parece, seu alvo favorito era Adriane. Tempos depois, Clodovil apresentava um programa exibido de segunda à sexta-feira pela Band, conhecido na época como Clodovil Soft, uma ironia, aliás. Certo dia, enquanto fazia “merchan” do "Dieta de Adriane Galisteu", ofendeu a então colega de emissora, dizendo que seu casamento com Roberto Justus era "golpe do baú". A marca cancelou o contrato e a Band o demitiu.

Hernandez, foi uma estrela da moda, fiel a algumas clientes, desafeto de outras. E apesar do inquestionável bom gosto, teve a infelicidade de permitir-se aparecer muito mais pelos defeitos. Entre os mais chegados dos velhos tempos e não os de última hora, sabia-se ter uma personalidade muito difícil, semeava a desavença e primava pela polêmica.
Como ninguém parece ter memória e brasileiro se emociona diante da morte, é bem capaz que Luciana Mello, uma das tantas humilhadas pelo costureiro multimídia, tenha ido ao velório do ‘grande brasileiro’.
Clodovil nunca enobreceu a causa gay, pelo contrário.
A ausência de Clodovil do congresso é um up-grade daquela que deveria ser a nobre casa de leis do país, mas não é nem uma coisa, nem outra. Pena que não se pode elogiar seu suplente, o coronel da reserva da Polícia Militar Jairo Paes de Lira (PTC), de 55 anos, que se auto define como linha-dura, a favor da pena de morte e contra o desarmamento. O ex-militar obteve cerca de (apenas!) 7 mil votos na eleição passada, mas se tornou primeiro suplente graças à votação expressiva de Clodovil, que teve quase 500 mil votos...(O brasileiro realmente não leva o congresso a sério!)
Dá para entender o sistema eleitoral brasileiro? Não dá, não é mesmo? Enfim, ficará tudo como era dantes no quartel que nunca foi de Abrantes.
O que dá para entender é que as manchetes seja o próximo paredão do BBB. Brasil, mostra tua cara! (A cara, a cara!).
Para mim, perdoem-me os mais piegas, vivo ruim é morto ruim e pronto. Foi-se, antes ele do que eu, amém.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2009

Meu livro 'encruado'


Uma das pedras sob meus saltos quinze ainda é a história dos livros que não publiquei e que pouco me animo a publicar. Nem sei direito a verdadeira razão, mas a verdade é que sou acometida de uma enorme preguiça quando imagino a trabalheira que deve ser tentar editar um livreto, sem nenhum apoio. Tenho visto coisas horríveis circulando por aí, com registro na Biblioteca Nacional e tudo mais, daí fico imaginando como alguém que quer ser chamado de escritor, acaba se conformando com tão pouco capricho. Triste é que a maioria das publicações chinfrins é de poesia, não admira o gênero estar tão desprezado.
Desconheço a natureza desses contratos que as gráficas fazem para pequenas tiragens, mas deveriam se responsabilizar no mínimo pela qualidade, sei lá.
Num deles, cada ‘poesia’ trazia uma ilustração tosca, e, em algumas, podiam ser vistas anotação do nome e página, num rabisco que acabou saindo no fotolito. O que mais me espantou foi uma indagação, “esta ou a do fulano?”, dando a entender que a autora, (professora de meia idade acometida de paixões pueris tardias!) tinha dúvidas sobre qual dos borrões usar. Sob o título “Prisioneira do Amor” (ai!) uma garatuja pretendia ser um perfil feminino, com o coração em chamas (!) envolto em algemas. Mais criativo, impossível, não? Credo.
Um outro livro mais parece um ‘consórcio’ de integrantes da comunidade acadêmica local, pois tem nada menos que trinta e oito (“!” de novo!) autores. Todos devem ser muito ocupados, pois nenhum fez a tal da revisão básica e as anotações saíram ‘de bonus’, inclusive um lembrete, “para ‘corrigir’ o e-mail da fulana”...
Depois soube que por economia, muitos tem se ‘juntado’ num convescote literário, por assim dizer, uma vez que ter livro publicado conta na prova de títulos e cumpre algumas exigências para bolsas etc. A solução, se tivesse respeito por seus (improváveis) leitores, até seria digna de nota. Mas assim, me parece estelionato, principalmente quando conta com patrocínio de verba pública. Pena, né?
Pois é. Fico aqui me cobrando, pois sei que preciso sempre (e muito) de um bom revisor, principalmente com a tal da reforma ortográfica...E acabo desistindo.
Não me sentiria confortável no papel da outra que além de incluir algumas erratas, ao tentar me vender um volume por nada módicos R$45,00, ainda me avisou que os desenhos ‘tais e tais’ estavam em páginas trocadas.
Sei não. Alguma coisa está no lugar errado. Quem sabe sou eu? (Vera Cascaes)
Foto: Chat des rues, de Sabine Weiss, para a Agence Top.
Mimi Asno ofereceu a Victor Vhil um exemplar de seu novo livro de contos. Mal ele deixou o café, onde os dois saborearam em silêncio uma fumegante xícara de cappuccino, Victor Vhil foi até a rua e atirou o livro na lata de lixo.
Mais tarde, e sob uma fria chuva de outono, voltou para apanhá-lo. Não queria ser responsável por sujar o lixo.
(Miniconto do livro Nem mesmo os passarinhos tristes).
Fonte : nonleia.blogspot.com/.../de-livros-e-lixo.html de
Mayrant Gallo, Salvador, BA, Brazil
Escritor e professor. Publicou: O inédito de Kafka (CosacNaify, 2003).

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Depressão



Lá pelas tantas você não sente mais vontade de fazer aquelas coisas que a animavam tanto. Não passa mais três horas rodando pelo shopping, para aproveitar a liquidação e comprar alguma coisa que precisava muito e ainda nem sabia. Até pensa nisso, mas não encontra ânimo para caminhar. E a TV, com aqueles séries que passam os episódios de todas as temporadas ao mesmo tempo, repetidas vezes, é sua companhia mais constante. Você quase pode recitar os diálogos da Dra.Grey.
Nas noites em que o desejo por aquele risoto de bacalhau a pega pelo pé e pelo estômago, em vez de trocar um pretinho básico e correr para o restô favorito, você acaba de moleton, num desses supermercados 24h, garimpando os ingredientes da diversão do dia. Faz o próprio risoto, que acaba saindo delicioso; come sozinha novamente em frente à TV cuja imagem é só chuvisco.
Já nem lembra desde quando sabe quem ainda tenta telefonar-lhe. Para não correr riscos de atender um intruso, alguém que possa entrar ‘de penetra’ nessa sua ostra, deixa tocar e depois devolve a ligação para os poucos com quem ainda fala. Se for um deles, muito que bem. Se não for, melhor não ter atendido, mesmo.
Quando fala de si, de alguma coisa que vai lá bem no fundo, nem sente que chora; as lágrimas apenas rolam dos olhos ardidos e o peito parece estalar, sob um colete de aço que não a deixa respirar.
Mágoas? Sim, você sabe que as tem e que, como os cães levam as pulgas aonde vão; você as carrega, jurando que já perdoou a todos, inclusive a si mesma.
Hummm...
Isso tudo, essa tristeza sem fim e sem uma razão clara e justificável; essa decepção com tudo e todos, essa sensação de ter ‘sobrado’ e de estar ‘mais só do que nunca’, isso tem um nome e é o mal da década: depressão.
Apesar de atingir 22% dos paulistas, (segundo pesquisa da Associação Brasileira de Familiares, Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata) e do Ibope); apesar de há mais de uma década, ter deixado de ser um mal que acometia os idosos e acometer 121 milhões de pessoas no planeta, tenha certeza que, ao saber que está depressiva, sua família vai achar que é bobagem, frescura, nervosismo; ou fingir que não é nada, afinal, poucos sabem o que fazer com alguém que foge dos padrões da ‘normalidade’ e se torna inconveniente.
Para cada homem deprimido (principalmente após a aposentadoria), duas mulheres estarão, também, doentes ‘da alma’.O interessante é que nós, as mulheres, sabemos exatamente como curtir a vida quando não precisamos mais trabalhar. E mesmo assim, nos quedamos impotentes, diante daquela tão conhecida onda de desânimo e da enorme e tentadora vontade de simplesmente desistir. De tudo.
Hormônios, famílias cruéis, decepções, brigas, desemprego, aumento de peso, traições...Enfim, as causas práticas podem ser inúmeras, mas são sempre, só o ‘start’, o mecanismo que desencadeia esse processo doloroso do qual é tão difícil sair.
Muitos vão aconselhá-la a ‘reagir’, como se isso já não fosse a razão de ainda estar viva e vestida. Outros, cochicharão às suas costas, mas não o suficiente para que você não perceba o quanto seu banzo atrapalha a radiosa felicidade dos demais. Os alegres de plantão odeiam imaginar que poderia ser um deles.
O que fazer?
Sinceramente não sei. A única coisa que me ocorre é vomitar que estou deprimida sim, muito; que não sei por que não quero ir ao parque, à academia ou à rua; não tenho vontade de estrear aquele vestido verde carésimo que envelhece no closet. Que ignoro o caminho de volta e que me sinto viúva de mim mesma, carpindo meus dias nesse velório interminável, ansiosa por poder sepultar meus fantasmas.
Tentei livrar-me da bagagem, rasguei documentos antigos, velhas agendas que me provavam, em cada página, o quanto já fui feliz.
Comprei discos que pudessem me fazer dançar e amarrei maços de canela pela casa. Fui à missa, à novena e tomei uns passes. Li sobre transtorno bipolar, sobre reencarnação, consultei o tarô e o oráculo. E tomei meu Prozac, sabendo que aquele ‘up’ artificial me deixaria muito pior quando se fosse...
E voltei aos banhos longos, sem nada para fazer depois que estivesse cheirando a Paris, (o perfume ‘cafona’de outras lembranças) e quem sabe?, cozinhar aquele risoto que ainda tenho tanta vontade de comer...,diante da TV.
O mundo só nos aceita de bem com vida, lindas, magras, louras e risonhas. Não há espaço para a sua tristeza, não importa quanto ela dure, viu?
A sua depressão, a minha depressão, isso não é assunto para o café da manhã. Nem para um jantar qualquer. Faça como tantas famílias ‘de bem’, finja que nada vai mal.
Antes de fantasiar mais uma vez como seria o próprio funeral, um aviso: não vai adiantar nada, ninguém vai se comover com sua dor. Melhor levantar-se e procurar um bom médico,
um psiquiatra que não seja maluco, faz favor. E um terapeuta. Acredite, depois de falar para alguém que está preparado para ouvir, será muito mais fácil respirar, ufa!
O Prozac? Não, não quero mais nada disso, quero minha velha e boa alegria de viver, que aliás, também incomodava bastante.
Não tenha vergonha. Depressão é algo que não se pede para ter. E um dia a gente se cura.
Conforta-me saber que serei eu mesma, melhor ainda.
Já outros males, ah, esses são de caráter mesmo, dificilmente se cura.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Cada uma !


Você Sabia ?
1 - Durante a Guerra de Secessão, quando as tropas voltavam para o quartel após uma batalha sem nenhuma baixa, escreviam numa placa imensa: ' O Killed ' ( zero mortos ).. Daí surgiu a expressão ' O.K. '. Para indicar que tudo está bem.
2 - Nos conventos, durante a leitura das Escrituras Sagradas, ao se referir a São José, diziam sempre ' Pater Putativus ', ( ou seja: 'Pai Suposto' ) abreviando em P.P .'. Assim surgiu o hábito, nos países de colonização espanhola, de chamar os 'José' de 'Pepe'.
3 - Cada rei no baralho representa um grande Rei/Imperador da história: . Espadas: Rei David ( Israel ) . Paus: Alexandre Magno ( Grécia/Macedônia ). Copas: Carlos Magno ( França ). Ouros: Júlio César ( Roma )
4 - No Novo Testamento, no livro de São Mateus, está escrito ' é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha que um rico entrar no Reino dos Céus '... O problema é que São Jerônimo, o tradutor do texto, interpretou a palavra ' kamelos ' como camelo, quando na verdade, em grego, 'kamelos' são as cordas grossas com que se amarram os barcos. A idéia da frase permanece a mesma, mas qual parece mais coerente?
5 - Quando os conquistadores ingleses chegaram a Austrália, se assustaram ao ver uns estranhos animais que davam saltos incríveis. Imediatamente chamaram um nativo ( os aborígenes australianos eram extremamente pacíficos ) e perguntaram qual o nome do bicho. O índio sempre repetia ' Kan Ghu Ru ', e portanto o adaptaram ao inglês, ' kangaroo' ( canguru ). Depois, os lingüistas determinaram o significado, que era muito claro: os indígenas queriam dizer: 'Não te entendo '.
6 - A parte do México conhecida como Yucatán vem da época da conquista, quando um espanhol perguntou a um indígena como eles chamavam esse lugar, e o índio respondeu ' Yucatán '. Mas o espanhol não sabia que ele estava informando ' Não sou daqui '.
7 - Existe uma rua no Rio de Janeiro, no bairro de São Cristóvão, chamada 'PEDRO IVO'. Quando um grupo de estudantes foi tentar descobrir quem foi esse tal de Pedro Ivo, descobriram que na verdade a rua homenageava D.Pedro I, que quando foi rei de Portugal, foi aclamado como 'Pedro IV' (quarto).Pois bem, algum dos funcionários da Prefeitura, ao pensar que o nome da rua fora grafado errado, colocou um ' O ' no final do nome. O erro permanece até hoje. Acredite se quiser..

Que coisa feia!


Sabe aquele e-mail sobre a India que a Globo não mostra?Pois é, ficamos todos muito chocados, afinal, pelo menos na amazônia não tomamos banho com aquela companhia, digamos, 'do outro mundo'.
Acontece que aquilo tudo, apesar da miséria, apesar de todos os pesares, ainda é fruto da cultura milenar. A separação entre castas não existe legalmente, já cuturalmente... pelo menos lá é 'cada qual no seu quadrado'.Os corpos vão parar no Ganges por conta de costumes religiosos, criados há muito tempo. (Entre outras coisas para que a miséria fosse aceita como 'predestinação'. Banhar-se ao lado de um cadáver não é, para eles, o fim do mundo...) E o que dizer de nós, os civilizados; o que se pode falar da terra do Fórum Social (ui)?Hum...Talvez a alma esteja tão elevada com as baforadas emitidas das bandas do Guamá que a gente até esqueça que aqui, miséria não vem por conta da cultura e sim por maus hábitos, e que educação (ah, a educação...) é algo mais do que dar 'bons dias' e distribuir salamaleques.Educação também é incomodar-se quando o outro não liga pra nada. É querer mais do que um carro do ano...
Vejam que cena 'meiga'. Subúrbio? Piquenique do Fórum? Mangueirão dia de Leão X Papão? ( Que Leão, que Papão?)Na-na-ni-na-NÃO. PIOR !!! O churrasquinho de Saco (do meu, do seu, do nosso) acontecia essa semana, numa das esquinas mais tradicionais de Chuva City: Conselheiro Furtado com Padre Eutíquio...Isso é ou não é uma esculhambação?Se pudesse, faria um mega outdoor com a foto, para mostrar que, enquanto esse tipo de gente tratar Belém assim, todos nós estaremos vivendo num favelão. Se repassar, meu bem, mantenha meu nomezinho: Vera Cascaes, uma paraense indignada! Ou melhor: P da vida!