terça-feira, 22 de abril de 2008

Ritual de espuma


Houve um tempo em que eu tinha apenas um shampoo, um “creme rinse” e um tal de óleo Cap, na prateleira do chuveiro.
(OK. Isso faz muito tempo. Mesmo.)
Eu podia passar por um trote de vestibulanda, com farinha de trigo e ovos na cabeça que, sem muito esforço, meu cabelão estaria limpo, lindo e solto, pronto para ‘outra’. Secador, só no salão em dia de festa. E das grandes!
Quando via algumas colegas com uma coleção de shampoos (anti-queda, anti-quebra, hidratante, com vitaminas e sais minerais, sem sal, com Ph neutro, com pérolas de brilho e até tutano, argh!) chegava a me sentir assim um pouco desfavorecida, afinal, nada mais humilde do que meu estoque, de marca popular e sem nenhuma promessa além de limpar minhas madeixas.
Que tempo bom!
A tecnologia nos trouxe ceramidas, choque de queratina, escova de chocolate, japonesa, francesa, de açúcar, chocolate branco, de morango e quem sabe, um dia teremos a escova de pizza ou alho e óleo, enfim.
Só hoje percebo que o que estava bem mesmo não era só o cabelo (saudaaade!), mas a cabeça!
Se a sua mulher tem meia dúzia de frascos enfileirados no basculante do banheiro, sossegue, podia ser muito pior. Os meus são treze shampoos diferentes, acompanhados do condicionador (que substituiu o velho e bom creme rinse) e do pote da máscara, que nada mais é que o condicionador mais encorpado, que coisa.
Sou avessa a misturas e quando tento aplicar diferentes, as cores da embalagem tem que combinar, tipo shampoo do frasco rosa e creme do frasco lilás. Porque? Também não faço a menor idéia!
A verdade é que comprar shampoo é uma terapia barata, está ali, bem ao alcance das mãos, com uma promessa perfumada de que, depois do banho, estaremos bem na foto e no álbum.
Não ache que quem tem cabelo sedoso, com pouco volume e brilho intenso não precisa de todo essa arsenal. Essas, depois das luzes, reflexos, tinturas e chapinhas, são raras, mas não esqueça que não estamos falando só de cabelo..
Quem está acima do peso, estressada com o trabalho ou com a vidinha amorosa não resiste ao lançamento de um desses vidros de felicidade instantânea. Experimentar um novo shampoo é dar a si mesma mais uma chance. Mesmo que a cabeleira não mude, é quase uma catarse, deixar aquele monte de espuma perfumada, caindo com um ruído peculiar – poloc, poloc – no chão do box, deixando a água lavar e levar todos os nossos temores, além de um certa oleosidade nas raízes.
Alguns homens também apelam para esse ritual. Mesmo aqueles que tem fios de dois centímetros passam as mãos na nuca achando que ‘melhorou muito’.
E não é que melhora?
Flertar com aquele corredor inteiro no supermercado, ler as mentiras que cada um trás feito promessa descarada de político- e ainda acreditar, é assim que tudo começa, apesar do maridão achar uma loucura o tempo que você gasta com essas coisas...Que pena.
Por isso, meu caro, em vez de reclamar da profusão de produtos no banheiro, trate de elogiar sua mulherzinha principalmente depois desses banhos em que ela procura mais que um cabelo limpo e perfumado.
Nenhuma é tola de achar que vai aprender andar em câmara lenta, com um ventilador sempre a favor, ou jantar com o Richard Gere.( Aliás, agora é que eu odeio a Carolina Ferraz, não bastava ser seca daquele jeito?)
Sentir-se confiante e feliz, essa mensagem subliminar que nos atrai a todas, nos tornando capazes de usar algo chamado ‘barro mineral’ ou ‘tutano de boi’, merece alguma coisa mais que “hum, tá cheiroso!”, não é mesmo?
Então, meu caro, capriche e faça valer a pena cada gota de shampoo e sonho!

domingo, 17 de fevereiro de 2008

FAXINAS


Certa vez comentei com uma terapeuta que, ao contrário da maioria das pessoas, aceitava as mudanças que a vida nos impunha e até gostava da oportunidade de tirar tudo dos armários, separar as inutilidades e guardar com mais cuidado o que realmente me era caro.
Ela me disse que um dia eu entenderia melhor certos códigos.
Bom, mais de vinte anos depois, continuo gostando de mudanças; na realidade, elas me fascinam. E já decifrei claramente o meu código pessoal no que diz respeito à reparos e ajustes, de rota inclusive.
A oportunidade de experimentar novos lugares, de rearranjar móveis antigos e novas aquisições, de dispensar o excesso de bagagem é uma experiência recompensadora.
Minha mãe sempre faz observações sobre minhas manias, em especial a de levar meus sapatos para ‘manutenção’, de revisar roupas a procura do que precisa de um ponto ou um ajuste. Como já me conheço um pouco, nem tento explicar nada.
Quando quebrei uma peça de cristal de grande valor sentimental, embrulhei os cacos, e, contrariando o feng-chui e as crenças de outros, deixei o pacote numa gaveta, uma espécie de ritual de passagem, sem velório. Um dia peguei o embrulho e coloquei no lixo. Simples assim, exatamente como tudo o mais na minha vida. Se não é o momento, eu espero.
Essa semana resolvi arrumar, pela centésima vez, armários e closet.
De óculos e sob a claridade de um dos poucos dias de sol, me surpreendi com o amarelado de algumas peças que certamente, só estavam ocupando espaço ou aguardando que estivesse pronta para dispensá-las. Sou maníaca por ‘dar’ coisas que não estejam em uso e acredito que essa prática abre uma possibilidade cósmica para que novas cheguem aos meus domínios. Algo como ‘quem partilha, tem’, enfim.
Dessa vez meus descartes foram um tanto dolorosos. Uma calça jeans, tamanho 42 (uau!), linda-linda-linda, cheirosa, dobrada num canto, esperava por mim, pela aceitação de que isso não me pertence mais e que é hora de aceitar as coisas como são, inclusive um manequim menos enxuto. Uma bolsa juvenil demais para meus cinqüenta, uma saia de lã e um casaquinho de cashmeare, quentes demais para o nosso eterno verão e pequenos demais para esperar pela minha próxima viagem para algum inverno qualquer.
Fiquei imaginando para quê tantas bolsas, tantos bordados e adereços que jamais usarei. Eu agora queria espaço livre, gavetas quase vazias e isso sim me parecia urgente.
De repente, grande parte das minhas coisas parecia não ter nenhuma importância, eu estava pronta para andar por aí com uma bagagem mais leve, sem ligar a mínima se entendem ou não. Quem sabe fosse a tal da maturidade ?
Enfim. A verdade é que na ‘vida real’ as coisas são mais ou menos assim. A gente pensa que não sobreviveria sem isso, aquilo ou aqueles. Aos poucos, descobre que nada nem ninguém é insubstituível, que uma amizade ou um amor que nos façam sofrer talvez fiquem bem melhor numa foto de um álbum qualquer. Que um emprego ruim pode ser tão nefasto quanto emprego nenhum e gente chata é sim, bem pior que estar só e m paz. Aprende-se até que lamentar o tempo perdido é bobagem, geralmente se trata de investimentos, alguns com mais retorno que outros mas nenhum que não tenha lá seu valor.
Depois de toda a arrumação lembro do meu livro, adormecido no décimo segundo capítulo, aguardando que decida o destino da minha heroína escrachada e nada convencional.
Fiquei pensando se estou realmente mudada, ou se, qualquer hora dessas não vou chegar em casa com dois jeans super apertados, para usar ‘depois da dieta’ ou decidir que é hora de arrumar tudo de novo.
Não sei. E de que adiantaria saber?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Papo de Mulher: m o d e r n i c e s


Maria é bonita, jovem, tem um monte de amigos e claro, alguns ‘ex’s. E é muito, muito ciumenta. Poderia ser Déborah, Natasha ou Raimunda, o importante é que ela é...Mulher.
Descolada, brada aos oito cantos do mundo - quatro, pra ela, é pouco!- que preza, acima de tudo, a preciosa liberdade.
Maria se inspira na Nova e outras revistas dirigidas às mulheres modernas e sexualmente ativas, na eterna busca pelo príncipe encantado; essa figura cada vez mais difícil, cuja responsabilidade maior é levar a modernete ao altar e tornar-se assim, culpado pelo avental sujo de ovo que elas estão doidinhas para usar, tsc.tsc.
É o alarme do relógio biológico que pode até andar meio atrasado, mas nem tanto.
Maria se diz antenada, sai uma vez por semana só com amigas, vai ao barzinho mais badalado, toma algumas e diz que tomou ‘to-das’, acorda mal-humorada e garante que é ressaca.Todos os garçons sabem seu nome na ponta da língua e ela é simpática até com o flanelinha. Arrojadíssima, essa Maria.
Ela é do tipo que chega para o Romeu (Toda Maria tem o seu Romeu, que está sempre menos interessado do que ela gostaria. Mas isso é um detalhe. Ele NUNCA dará toda a atenção que Maria requer..., enfim.) assim, meio como quem fala ‘que calor fez hoje, né?’ e solta a isca.Enrolando um cacho que sobreviveu à chapinha, olhos na TV, chiclete imaginário atrapalhando a língua: ‘Adivinha quem encontrei no shopping?’
Muita calma nessa hora, Romeu. Ela pode estar querendo briga falando de uma ex sua, que, na cabeça dela, ‘vive’ dando em cima de você. Pode ter encontrado o Zé da Feira cantando ‘Piolho’ ou...
‘Marcelo...!’ Você levou uma fração de segundos para lembrar que o dito é um ex que, segundo ela (de novo) ainda é ‘a fim’ paca e Maria, metralhadora passional, segue feito um rambo de mega-hair e gloss: ‘Tá tão bem...(Pausa.) Legal ter encontrado o ‘Lelo’...(Pausa maior.)... ‘A gente bateu o maior papo...’ (Pausa longa demais.)
Vamos por partes. Antes de tudo: provavelmente Maria não encontrou ninguém, nem deve ter ido ao shopping. Aprenda uma coisa: se ela tivesse algum rolo com o tal, nun-ca diria nada sobre o encontro. Isso é pura cascata. Mais do que briga, Maria quer um clima, uma pegada mais forte, que você se rasgue de ciúme, nem que seja da boca pra fora.
Reaja a altura, as compensações podem ser ótimas, nada como o amor depois de uma ceninha de ciúme, não é?
Hummm...Mas você anda meio de saco cheio dos beijos que ela distribui quando encontra aquele monte de marmanjos, e ainda diz que ‘ficamos sim, mas faz tanto tempo...’
Sei.
Anda louco para dizer o que pensa, não é? Que gostaria muitíssimo de saber o que ela acharia se você saísse com amigos e encontrasse, sem querer - claro!- sua ex (que essa é ex, mesmo, e durou mais de ano!), que não ia ser mal educado... Acabou convidando a moça pra sentar...Que o papo foi ótimo – só como amigos (“Claro, Maria, pensa que sou facinho?) – não rolou nada de mais, apenas vocês vão se encontrar quinta no happy-hour daquela loja de informática, e daí?
Olha, se fizer isso,ela entra na linha ou acaba no divã da Angélica Nancy, o que , pra inicio de conversa, é uma excelente idéia.
Não esqueça de contar a aventura assim como quem não fez nada, mas pode , até, fazer.
Essas Marias modernas, que arrotam uma liberdazinha chinfrim não têm tutano para suportar que seus homens tenham a mesma autonomia de vôo, nã-na-ni-na-não. E dizem, no meio do chororô que ‘comigo é MUITO diferente, ora!, chuif, chuif...’

Mentiras que os homens contam...


Um amigo me disse que homens não mentem, apenas dizem o que as mulheres querem ouvir.Faz sentido.
Se ele chega em casa às duas da madrugada e a esposa se conforma com a desculpa de uma comprinha no supermercado 24 horas...Ela quer ser enganada, sim. Então, por que não?
Resolvemos eleger as mentirinhas masculinas mais comuns, eis as campeãs:
“Nunca me senti assim”. Não querida, ele não está comparando nada. O Romeu sabe que você vai se sentir mais segura e ajudar a manter seu ciúme sob controle, pelo menos por um tempo. Essa cascata pode vir acompanhada de outras ‘bem intencionadas’, como “Você é a mulher da minha vida”, e “Nunca amei ninguém tanto assim”. Finja que acredita, faz parte do jogo. Pior seria se ele não dissesse nada, concorda?
“Te ligo amanhã”. Essa é a forma que ele encontrou para dizer que você não deve ligar, mas isso não novidade. Tente controlar-se, não adianta ficar pensando bobagens do tipo “Se um carro buzinar agora, é porque ele vai ligar” ou “Se eu acertar essa bola de papel no cesto...”. Ele só vai ligar se estiver a fim de compromisso e isso não quer dizer que você é uma droga, então larga esse pote de sorvete, por favor!
“Não é isso que você está pensando”. É sim, mas o que ele quer dizer é que não teve importância, foi só uma transa e que, se você perdoar não deve ficar falando mais nisso. Acredite que é sincero, apesar de ser um canalha, cachorro, sem vergonha. Mas se jurar que jamais sentiria atração por sua irmã ou sua melhor amiga, parta para ignorância pois esse verme pensa que você tem cérebro de ostra. Isso inclui outras lorotas do tipo “Ela é só uma amiga!”, “Eu não estava olhando mulher nenhuma” e “Nunca vi essa gata antes”.
“Eu e minha mulher não dormimos juntos há séculos!”. Antes de tudo devo perguntar quais suas intenções com esse tipo mentiroso que afirma que “só não se separou antes por causa das crianças”. Se você não o quer para marido é bom que ele tenha quem o queira. Pelo bem de sua auto-estima , melhor deixar claro que é você quem não quer nada sério, que é ótimo que tenha uma esposa ma-ra-vi-lho-sa para cuidar dele, das roupas dele e dos filhos deles, ou quando a saúde ou as finanças ficarem ruins. Como homem gosta é de pouco caso, é provável que se apaixone e queira você para sempre, mesmo que esse sempre dure até a próxima, mas é isso que você merece. Parece uma cretinice?E é! Pior: uma grande roubada!
“Só aconteceu uma vez”. Então tá. Aproveite que ele está cheio de remorsos, louco para agradá-la e passe numa joalheria ou agência de turismo. Vingançazinha: vá sozinha e volte com uma medalha com a inscrição “Verão de 2008- Inesquecível”. E jamais, ouviu bem?, ja-mais admita que você não aprontou nada.
“Não quero terminar, só dar um tempo”. Válido para “O problema não é você, sou eu!”.Ele quer terminar, sim, mas tem medo de se arrepender. Deve ter um caso engatado mas quer sua autorização para tentar e, se não der certo, voltar.(Mas isso não vale pra você viu?) Segure a emoção, reaja com muita tranqüilidade e diga que achava que as coisas estavam mal mesmo, que já não se sentia satisfeita quando ficavam juntos e que deve ser honestíssima com ele, mas andava querendo ficar só. Ato contínuo, corte o cabelão, faça luzes (ele tem que notar uma mudança drástica!) e vá com amigos para o barzinho que certamente ele estará, a bordo de um decote sensual. Cumprimente-o com alegria e dois beijinhos, sente-se onde a veja, fale no celular com carinha de quem está armando e não se emburre se ele estiver com outra. Só não vá ‘ficar’ na frente dele né, meu anjo? Saia com o grupo, com ares de quem vai dar uma bela ‘esticada’, e daí que é puro kaô?
Ah, caso alguém se interesse, a gente trata das mentiras que elas contam na próxima crônica. Não?

domingo, 27 de janeiro de 2008

Como Florbela


De amores, mentiras e outras tragédias.
Senta-se sobre as pernas cruzadas, como se buda fosse e olha a janela escancarada. A folha permanece em branco, avisa o monitor igualmente sem cor.
Desatina-se.Queria que lhe baixasse um espírito desesperado, inquieto e apaixonado.
Que Florbela Espanca lhe soprasse nos ouvidos versos enlouquecidos, que contasse a sua versão daquela morte, comprimidos não têm graça; um mergulho suicida no mar revolto teria um pouco mais de glamour , se é que na morte se pode pensar nisso.
Florbela. Sua inspiração recorrente, a mais notável das bipolares, aquela que vivia afirmando-se e negando-se a cada linha. Um Dom Juan de saias, um narciso inveterado que nunca encontrou assunto que não nascesse no próprio umbigo e não fosse embriagante.
Ela jamais seria a sombra de Florbela. No máximo, um plágio num blog qualquer, que essas
coisas de Internet tiram o charme de qualquer poeta, não importa quanto fosse impactante fundo musical e ilustração. Espanca nunca precisou de efeitos especiais.Era carne e sangue, moderna, lírica e sensual.
Quem sabe sentisse melhor as palavras num caderno, escritas a pena, borradas pelas lágrimas paridas a fórceps, às custas da mais triste das músicas atormentando-lhe os neurônios.Isso não é inspiração, mulher!, recriminava-se, piorando as coisas.
Não se faz boa poesia na alegria, repetia, da mesma forma que paixão acaba em solidão e amor, em dor. Não existe romance sem sofrimento e pronto!
Um longo texto alinhavando as torturas do casamento...Logo ela, que se casara quatro vezes, que ironia. Onde estavam as pílulas? O anti-depressivo que a tornaria um pouco menos absurda, mais próxima da normalidade e que a deixaria sem cor e sem graça, menos diferente, o tanto quanto fosse suportável.O sucesso pertence aos iguais.
Precisava dormir ou enlouqueceria mais ainda com aquela tela vazia e minutos passando, ditando a sentença que a faria pular do trampolim: não há mais tempo!
Prazos, quem inventou os prazos, a física quântica e outras ficções a respeito do tempo? Alguém que não amava, que nunca vivera essa paixão de dar nó nas tripas, essa vontade de gritar me bate, mas me ama, me ama. Me deixa, mas antes, me arrasta e me mostra como vou morrer de saudade, como vou esquecer de mim sem jamais esquecer da tua pele, das tuas mãos me apertando, do vazio que sinto onde deverias morar, nesse amor que é lago, lagoa onde nadas e mergulhas feito Posseidon.
Decididamente, ela não conseguiria escrever mais nada, perderia o emprego e o vício!
Os prazos. O que faço com eles se não consigo pensar em mais nada e tua ausência me sufoca?
Bem feito! Foram tantos conselhos, vai para a editoria de moda é muito mais fácil, ninguém entende nada mesmo e as especialistas, ah, algumas andam com aquele negócio mofado que ainda chamam de tailleur, com florzinha na lapela e modernidade regada a naftalina. Mas não, tinha que escolher o caderno literário com uma página in-tei-ra só para ela. Dez mil toques. Onde está o trampolim?
“Eu quero amar, amar perdidamente !Amar só por amar: Aqui ... além...Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente ...Amar ! Amar! E não amar ninguém !(...)
Quem disser que se pode amar alguémDurante a vida inteira é porque mente!”*
Quase sente o clima de Matosinhos, por onde andou a poeta, até aquele aniversário- o derradeiro- em 1930. Quantas vezes já havia programado essa viagem além mar, onde haveria de ver as terras e coisas de Pessoa, de Florbela - sempre ela- do Alentejo de outros amores, da Caparica cada vez mais distante...
Era hora de sair do computador buscar um pouco de ar, de verdade.De nem lembrar quantas vezes se indignou com quem pensa que “navegar é preciso” como se necessário o fosse...
Precisão. Ah, a matéria que não sai, a redação está quase vazia!
Quem sabe pudesse esquecer tudo e beijar a terrinha como um João Paulo nada santo, um afago, um sorriso e... cheguei!, Se navegar é cartesiano, viver...ah viver é comigo!
Sem pílulas nem mar para mergulhar, só resta a vida real. Agora só resta Portugal.

* Soneto de Florbela Espanca (Texto : Vera Cascaes)

quinta-feira, 15 de novembro de 2007

HIPÓCRITAS!


Deu na Globo.com:

"O britânico Robert Stewart foi condenado a três anos de prisão em regime aberto depois de ser flagrado fazendo sexo com uma bicicleta no abrigo onde morava, em Ayr, na Escócia.
Stewart, de 51 anos, admitiu ter agido de maneira inapropriada, simulado sexo e violado a paz com uma ofensa sexual e teve seu nome incluído no cadastro de pessoas condenadas por crimes sexuais - que inclui estupradores e pedófilos - por três anos.
O britânico foi denunciado depois que as faxineiras do Aberley House Hostel, um abrigo do governo que acomoda pessoas que não têm onde viver, o flagraram com a bicicleta e pediram ao gerente que chamasse a polícia.
"Elas bateram na porta do quarto diversas vezes e não houve resposta. Elas usaram a chave-mestra para abrir a porta e se depararam com o acusado vestindo apenas uma camiseta branca, nu da cintura para baixo", disse o promotor Gail Davidson ao tribunal.
"O acusado estava mexendo os quadris para frente e para trás simulando sexo."
Na hora da sentença, o juiz Colin Miller disse a Stewart: "Em quase quatro décadas trabalhando com a lei, eu achava que tinha visto todo tipo de perversão conhecido pela humanidade, mas essa é nova para mim. Eu nunca tinha ouvido falar de um 'tarado por bicicletas'".


Fonte :http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2007/11/15/327178429.asp

Bem...Não entendo qual a diferença para uma boneca inflável, espécie de fêmea de plástico (rs) muito apreciada pelos ingleses, que não tem que esperar a exaqueca passar...e pelas inglesas que não precisam tomar uma ducha depois...( Maldade...!)

Já imaginou o Sergei? Levaria 50 anos por violar uma árvore...E o Cláudio Cavalcanti com a melancia?

Outra coisa: invasão de privacidade não é crime, não?

É muita hipocrisia...Muita!
Imagem: Invento argentino . Bicicleta desmontável. www.btt.com.ar/nota/1/1328.shtml

sexta-feira, 9 de novembro de 2007

PIORES DE BELÉM

Os piores de Belém
Recentemente a SPPA - Sociedade Protetora dos Palpiteiros Anônimos, houve por bem ouvir seu seleto grupo de sócios, os honorários inclusive, com a finalidade de elaborar a lista das “Dez Melhores Coisas de Belém”.
Como é de praxe, aconteceu uma enorme celeuma, briga feia mesmo, o que acabou resultando na saída de um de seus eméritos fundadores, conhecido por seus sólidos conhecimentos no setor de fofocas e intrigas.
Ao final da décima reunião extraordinária, (ordinárias são as dos outros!) e, diante dos votos, acatou-se escolher então, “OS DEZ PIORES”.
Já se sabe que a lista irá aumentar, a cidade é uma gracinha mas opinião é como bunda, todo mundo mantém a própria bem discretinha até o primeiro mostrar a sua...
Vamos então aos mais votados.
1- Categoria hors concours : Praça da República e arredores, aos finais de semana e feriados. As razões ocuparam a pauta durante quatro horas. Todo mundo sabe que aquela “herança”é deprimente, degradante, fedorenta, perigosa, feia, brega, horrorosa. E que a gente séria que faz artesanato e outras coisa boas, não merece estar em tão má companhia. Nem nós.
2-Em S.Braz, a nave da Xuxa cedeu a supremacia ao Monumento ao Cocô Desconhecido. Alguém me disse, ou eu tive um pesadelo, não sei bem, que aquilo é uma homenagem (?) aos sobreviventes de Eldorado, ou aos sem teto, sem casa, alguma coisa por aí. Não, meu anjo, eu não estou faltando com o respeito. Quem fez isso foi quem colocou aquilo ali e ainda dedicou a obra a quem não pode vir aqui se defender.
3-O Colégio Moderno. Essa citação surpreendeu, afinal, foi o celeiro de gente bonita e , enfim, todo mundo sabe a história. Mas in loco, todos capitulamos. Foi tanta reforma, tanta obra estilo favelão, que, principalmente pela lateral da Gentil aquilo ficou parecendo um pombal, pintadinho, cheio de basculantes. Balancins, lembra, daqueles de cozinha e/ou banheiro. Pena e comoção no júri. Menção aprovada em nome dos velhos tempos.
4- O clube do Remo mais uma vez venceu o Papão, ops, O negra da Curuzu.(Isso ficou esquisito...) O estado da outrora bela sede da Nazaré e aquela muvuca da Almirante são uma vergonha, até para os mais amorosos atletas ou torcedores azulinos.
Te sossega aí, bicola, que as coisas lá pelo teu estádio também estão em clima de favela decadente. Tuna ta chegando perto, a boate está caidinha...
5- A Estátua da Liberdade: esse foi um ponto de discórdia. Que é cafona, todo mundo concorda, mas houve quem lembrasse que ela parece “anã” numa referência a nossa ancestral pouca altura. Ah, me erre, estátua cotó para parecer paraense é demais. Premiada com louvor.
6- Lajotinhas em geral. Esse item teve inúmeras menções, dada a facilidade de se criar monstrengos com aqueles quadradinhos coloridos. O primeiro lugar ficou dividido entre um edifício na Conselheiro e um prédio comercial na Primeiro de Dezembro. O primeiro, na categoria “Raio me parta” e o segundo “Ponto... Cruzes!”. Os demais, devido a impossibilidade de citá-los nessa página, sintam-se reconhecidos.
7-A Tamandaré. Houve a sugestão de mudar o nome para Tamandaralho. Apesar de justa , a sugestão poderia chocar quem ainda tem que morar num local que não sabe o que é beleza desde que foi criado por...acaso. E a Marinha poderia sentir-se ofendida, enfim.
8- Dispensando qualquer justificativa: as reportagens que aparecem na TV, justamente mostrando o pior da nossa terra.Argh.
9- Encerrando a lista dos dez - calma, explico: essa vale por dois - Ananindeua, não poderia ficar de fora, afinal, onde a corda vai...O Shopping e seu genérico, em frente, (que coisinha feia!) com aquele entorno caótico...São os dois classificados e que representam a chamada “grande Belém”.
Grande ?